Nas aulas Aspectos neuropsicológicos do
Desenvolvimento II, motivação foi um tema que chamou muito a minha atenção, esteve
relacionada a diversas discussões, nos aspectos de observação do atendente e
suas possibilidades de desenvolver maneiras de aprender. A relação de aprendizagem
e motivação, se unem ao pensar em
qualquer coisa que se faça na vida, ou seja, é necessária a vontade de
realizá-la, ao contrario nada acontece, e não seria diferente nas práticas
pedagógicas.
Motivação quer dizer exposição de motivos ou
causas; animação; entusiasmo, sendo necessário ter motivos para se chegar a
esse estado, continua sendo um complexo tema para as teorias de aprendizagem e
ensino (Piaget), isso porque á motivação esta entre a facilidade e dificuldade
de aprender, com sucesso ou o fracasso dos professores ao tentar ensinar algo a
seus alunos, dificilmente detectarmos o motivo que atrapalha ações de
aprendizagem ou comportamento.
No estudo da motivação foram apontados fatores
que atuam nesse tema, como o ambiente, as forças internas ao indivíduo (necessidade,
desejo, vontade, interesse, impulso e instintos), objeto que atrai o atendente
por ser fonte de satisfação da força interna que o mobiliza o organismo para a
ação estabelecida entre o ambiente e a necessidade e o objeto de satisfação. Os objetivos ajudam a ter esses conceitos
presentes, eles focalizam a nossa atenção na tarefa, mobilizam os esforços,
aumentam a persistência e promovem o desenvolvimento de novas estratégias,
quando as antigas não são suficientes. Motivar também depende de estimular autodeterminação, esta é a
necessidade de experimentar escolha no que e como fazemos.
Nos estudos anteriores feito no primeiro
modulo, nas teorias de Wallon, na obra “Evolução psicológica da criança” (1995)
a criança é manipulada pelos outros e é no movimento dos outros que ocorrerá a
formação de suas atitudes, os gestos espontâneos das reações afetivas e a relação
com o outro. A criança reconhece em outros indivíduos as mesmas possibilidades
que reconhece nela, e nesta mesma pratica pode-se observar que através do objetivo
relacionado a aprendizagem.
Pensando em ações de Wallon, não poderia
deixar de citar Abraham Maslow, (psiquiatra, psicólogo, trabalhou junto as
pesquisas de Wallon, defendia que as bases de motivação e afetividade conduziam
juntos o aprendizado). Ele trouxe,
para os estudos da na psicologia seus estudos sobre a pirâmide de necessidades
humana. Essas necessidades sociais, que
se saciadas, abrem espaço para as necessidades de auto-estima, se uma destas
necessidades não está saciada, há a possibilidades, quando todas estiverem de
acordo, abre-se espaço para a auto-realização, que é um aspecto de felicidade
do indivíduo, aponta a necessidade como explicação fundamental
das motivações na sua teoria humanística. Este sugeriu que as pessoas têm uma
hierarquia de necessidades, que varia das necessidades de nível mais baixo,
como a sobrevivência e a segurança às necessidades de nível mais alto. Maslow estudou a motivação para a compreensão do homem na
dimensão social, mostra como compreender afetividade e a motivação
juntas podem contribuir para o desenvolvimento de novos conhecimentos e, varias
fases da vida do homem.
A
motivação é um componente da dimensão afetiva, é essencialmente emocional e
gradualmente vai constituindo-se em um ser sócio-cognitivo. Antes do surgimento da linguagem falada, as
crianças comunicam-se e constituem-se como sujeitos com significado, através da
ação e interpretação do meio entre humanos, construindo suas próprias emoções,
que é seu primeiro sistema de comunicação expressiva. Exemplo,
da relação entre a afetividade e motivação na aprendizagem, em relação
professor–aluno para a construção do conhecimento é essencial para o
desenvolvimento da inteligência emocional e para o processo de avaliação da
aprendizagem.
Em
suas idéias (sobre a época que em a infância era sinônimo de pequenos adultos,
sem expectativas, sonhos e percepção de futuro diferente), Wallon defendia a
tese em congressos e plenários governamentais, que a infância deveria ser estimulada,
com brincadeiras próprias para cada etapa de desenvolvimento, isso contribui
para a formação de uma personalidade mais íntegra, saudável e completa, em um ambiente
adequado e motivador.
Se a
motivação se origina no desejo de se satisfazer uma necessidade, não havendo necessidade,
não haverá motivação? A reação normal da pessoa, quando compelida a uma
atividade não resultante de um desejo de satisfazer uma necessidade, é a desmotivação,
não podemos deixar esse ressaltar esse fator, que compromete o aprendizado e as
ações que envolvem o convívio comum em uma sociedade, composta por regras e
leis, (moral e ética), texto mencionado no vídeo de Mario Sergio Cortella
(apresentado em sala de aula no modulo de neuropsicologia II).
Não
é fácil distinguir uma motivação da outra, observando apenas o comportamento, a
diferença essencial está na razão da pessoa para agir, essas chamamos de intrínseca
(razão vier de dentro da pessoa), extrínseca (vier de fora). Motivação
intrínseca é a tendência natural de procurar e vencer desafios à medida que
perseguimos interesses pessoais e exercemos aptidões. Motivação extrínseca será
a motivação baseada numa recompensa, ou numa tentativa de evitar um castigo,
quando exercemos uma determinada atividade devido a uma razão que pouco tem a
ver com a dita. Muitas vezes, podemos
sentir tentados a assumir que um determinado comportamento é motivado
intrínseca ou extrinsecamente, sendo que na maioria das vezes a motivação é intermediária.
Vivemos
em uma sociedade, onde as mudanças estão presentes em todos os setores, é
necessário analisar as formas de pensar e aprender, desenvolver estratégias de
ensino que partam das suas condições reais, estimulando os esquemas cognitivos,
que desenvolvem reflexões sobre as próprias percepções nos processos
educacionais, avançando os conhecimentos sobre as formas de pensar e perceber a
realidade, assim inserimos a afetividade, à medida que atendente adere às
propostas feitas, a mudança de comportamento e o desenvolvimento da
aprendizagem através do pensamento, que é a maneira da inteligência se
expressar, “no pensamento, que mora a aprendizagem”. (Mattew lipman).
Para
ensinar não basta ter conhecimento de uma série de metodologias de ensino, é
preciso compreender o próprio aluno, as características de sua personalidade, a
etapa de desenvolvimento motor, emocional, cognitivo e social. Ressalto a
característica social como forma de entender as ações individuais ou coletivas
do atendente dentro do processo de aprendizagem, é importância que nos
lembramos do princípio psicológico, segundo o qual nenhum comportamento existe
sem uma causa motivadora que o determine as ações positivas ou negativas. Acredito ser este o grande desafio da
atualidade a que nós educadores e futuros psicopedagogos, devemos averiguar as
razões da ausência da motivação do aluno para a aprendizagem, analisá-las,
buscar estratégias eficazes que ajudem a reverter este quadro, com objetivo de
formar indivíduos conscientes, autônomos, com referenciais para realizar
opções, capazes de construir conhecimentos, de fazer julgamentos e opções
políticas e sociais.
Vibrações Positivas....